Ele me encarou como se eu fosse a
pessoa mais egoísta do mundo. E eu me senti assim. Mas, quem disse que apenas
eu estava sendo egoísta? Eu planejei tudo para mim, meu sonho era esse: viver
viajando por todos os lugares. Eu não queria abrir mão desse sonho, e esse era
meu egoísmo. O seu, era querer que eu o abandonasse para ficar com ele. Eu não
poderia fazer isso. Estava me decidindo, eu havia passado a “noite” inteira
pensando justamente nesse ponto, procurei olhar pelos dois lados, e estava
optando pelo meu. Não porque eu não estava mais apaixonada por aquele homem,
pelo contrário, a cada dia que passava, eu me apaixonava mais. E era isso que
eu não queria. Quanto mais tempo eu ficasse com ele, quanto mais eu ficasse
naquela cidade, nem que fosse para brigar todo santo dia com ele, mais eu
estaria me prendendo à ele e aquela cidade.
Foi por isso, por essa minha
incapacidade de ser independente perto de um homem, que eu decidi que não poderia
ficar mais ali. Eu queria viver sem precisar de alguém, e eu precisava dele,
não para realizar minhas tarefas, nem para pagar minhas contas, ou algo do
tipo, eu precisava dele emocional e fisicamente. Estávamos ali, parados naquele
quarto de hotel, sem olhar para o outro, esperando uma resposta que só eu
poderia dar. Naquele momento, aquela tensão pairava no ar, e eu quase não
conseguia suportá-la. Eu precisava dar um fim naquilo tudo, e seguir em frente.
Mas como? Eu não era forte e decidida o suficiente. Como eu conseguiria viver
sozinha de novo, depois de tanto sentimento que guardei em mim ter sido jogado
em uma só pessoa?
- Ei, você ainda tá aí?
- Claro que estou, você não está me
vendo? – respondi irritada porque perdi minha linha de pensamentos.
- É, seu corpo está aí, mas e sua
mente? Parece que você tá viajando. – ele riu, tentando decontrari, sem
sucesso, revirei os olhos.
- Eu só estava terminando de me decidir
– seu olhar demonstrou preocupação – se eu ficarei aqui, ou se continuo minha vida
e vou embora.
Ele me fitou, sabia que qualquer coisa
que dissesse agora, naõ poderia afetar a minha decisão. Ele sabia que eu era
decidida, e mais do que isso, era teimosa. Olhei para ele, e ele por sua vez,
esperava minha resposta. Mas eu não tinha ainda uma, pelo menos, não
definitiva. Eu não poderia alimentá-lo com alguma esperança, mas não deveria
bombardeá-lo com a minha ida.
- E então...? – ele queria alguma
resposta.
- Não me decidi. Aliás, hoje seria meu
dia de decisões, e você está me atrapalhando. Se importa em sair? – grossamente,
me levantei e abri a porta, indicando para que saísse.
- Tudo bem. – ele baixou os olhos e
saiu, olhou-me uma última vez, e não arriscou um beijo roubado.
Nenhum comentário:
Postar um comentário